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Prémio de melhor dissertação 2022 da Universidade de Tampere - Sociedade

Atualizado: 11 de set. de 2023


Crónica do Investigador | A Íris Santos é a atual representante da SPOT Nordic na Finlândia. É investigadora de pós-doutoramento na Universidade de Tampere. A sua investigação de doutoramento, desenvolvida em cotutela entre a Universidade de Tampere e a Universidade de Lisboa, analisou as dinâmicas emergentes das interações entre atores globais, nacionais e locais na elaboração de políticas de educação em Portugal. A sua tese intitulada Externalisations in the Portuguese Parliament and print media: A complexity approach to education policymaking processes acabou de receber o prémio de melhor dissertação do ano 2022 na Universidade de Tampere, na área de ‘Sociedade’. O prémio é atribuído pelo Fundo para a Ciência da Cidade de Tampere em conjunto com a Universidade de Tampere.


Os meus interesses de pesquisa dizem respeito à formulação de políticas educacionais, à transferência de políticas e à dinâmica da rede global-local de atores envolvidos na governança educacional. A minha investigação parte de uma posicionalidade onto-epistemológica das ciências da complexidade e combina teorias das ciências políticas e da educação comparada para analisar a utilização de elementos internacionais para a (de-)legitimação de argumentos e propostas em discussões centradas na política educativa portuguesa. O período considerado para análise foi 2001 - 2018.


A dissertação é composta por um conjunto de artigos (aceder no fim do artigo) em revistas científicas e internacionais na área da educação, assim como por um trabalho independente em que agrega e re-analisa as várias análises feitas nos artigos publicados numa só publicacão. O trabalho apresenta uma análise das dinâmicas emergentes das interações entre atores globais, nacionais e locais nos processos políticos em Portugal. Mais especificamente, a dissertação analisa a forma como são feitas referências (i.e., fenómeno da externalização) a organizações internacionais (ex.: OCDE), às suas ferramentas de avaliação e orientação (ex.: PISA), e às práticas de outros países, nas discussões sobre educação em Portugal.


As diferentes camadas de análise desenvolvidas levaram a várias conclusões interdependentes. Em Portugal, seleção dos elementos internacionais usados nas discussões das políticas educacionais é influenciada por diversos fatores, maioritariamente relacionados com o contexto local: as externalizações são contingentes à história nacional e local e às interações e seleções dos atores políticos e sociais. As dinâmicas desenvolvidas entre atores políticos e sociais envolvidos nos processos políticos levam à necessidade de recorrer a elementos com (ou dotados de) autoridade para fortalecer argumentos e apelos à razão e emoções do público, o que pode eventualmente alterar pontos de vista e decisões, levando ao consenso político necessário para iniciar reformas. Referências a elementos internacionais trazem este tipo de autoridade para as discussões, uma vez que os mesmos podem ser usados como alegações de conhecimento e evidência, permitindo a despolitização dos temas discutidos. Contudo, para serem úteis, os elementos internacionais devem ser considerados dotados de autoridade pelas audiências. Consequentemente, os atores políticos e sociais precisam de fazer suposições e observar cuidadosamente as suas audiências de modo a identificar os problemas que necessitam ser resolvidos; as entidades ou instituições potencialmente capazes de resolver o problema em questão; e os resultados esperados pelas audiências. As externalizações para elementos internacionais são, portanto, importantes ferramentas de (des)legitimação utilizadas pelos atores envolvidos em processos políticos. Em Portugal, os elementos internacionais mais referidos em ambos, nas discussões parlamentares e na impressa escrita, são a OCDE, a EU e, utilizados como um todo “os países da OCDE” e “os países da EU”. Referências a estes (e muitos outros) elementos internacionais são feitas por todos os atores políticos e sociais envolvidos em discussões sobre a educação, independentemente da filiação politica, com o objetivo de gerir a contingência do processo de formulação de políticas educativas e, assim, reduzir a complexidade deste mesmo processo, de forma a formar consenso, permitindo início da mudança social. No entanto, no contexto português parece que a utilização frequente dos mesmos elementos internacional por diferentes atores, para defender ideias e propostas contraditórias, sustentou a complexidade do processo de formulação de políticas, contribuindo para fracasso de várias tentativas de avançar planos de reforma abrangentes – como foi o caso com propostas relacionados com os instrumentos de avaliação de professores tanto pelo XVII Governo (2005–2009) como pelo XIX Governo (2011–2015).


A dissertação oferece contribuições teóricas e empíricas para o avanço do conhecimento nos campos da educação comparada e das ciências políticas. A abordagem metodológica aplicada identifica padrões de externalização que revelam complexidades quer no processo político quer nas interações entre os níveis global – nacional – local dentro destes processos. Mais especificamente, a análise amplia a compreensão sobre as características societais que podem conduzir à necessidade de usar elementos internacionais como fontes de autoridade e como os elementos escolhidos se tornam nessas fontes de autoridade.


Sumariamente a figura seguinte apresenta as conclusões em resposta às duas questões principais:



Artigos premiados:


Santos, Í., & Centeno, V. G. (2021). Inspirations from Abroad: The Impact of PISA on the choice of Reference Societies in Education. Compare: A Journal of Comparative and International Education. DOI: 10.1080/03057925.2021.1906206


Santos, Í., & Kauko, J. (2020). Externalisations in the Portuguese parliament: analysing power struggles and (de-)legitimation with multiple streams approach. Journal of Education Policy. DOI: 10.1080/02680939.2020.1784465


Santos, Í. (2021). Epistemic work in Portuguese parliamentary education debates: Externalisation to world situations as a source of epistemic capital. European Educational Research Journal. DOI: 10.1177/1474904121990474


Santos, Í., Carvalho, L. M., & Melo, B. P. (2022). The media’s role in shaping public opinion on education: A thematic and frame analysis of externalisation to world situations in the Portuguese media. Research in Comparative and International and Education. DOI: 10.1177/17454999211057753





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