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Da diáspora para a política pública: proposta da SPOT Nordic entra no debate sobre o futuro da inovação em Portugal


A recente abertura do Governo português à participação da diáspora científica na definição da nova Agência para a Investigação e Inovação Portuguesa (AI²) surge em linha com um trabalho estratégico que a SPOT Nordic já vinha a desenvolver nos últimos meses sobre o futuro do financiamento da inovação em Portugal.


Segundo a notícia recentemente divulgada, o Governo confirmou estar a ouvir associações de investigadores portugueses no estrangeiro, incluindo a SPOT Nordic, reconhecendo o contributo destas organizações no processo de reforma do sistema científico e de inovação nacional. Esta evolução surge poucas semanas após a SPOT Nordic ter apresentado, no Fórum Portugal Nação Global, uma proposta estratégica para criar em Portugal um regime de fundações empresariais inspirado nos modelos da Dinamarca e da Suécia.


Uma proposta estrutural para repensar o financiamento da inovação


O relatório desenvolvido pela SPOT Nordic no âmbito do programa PCID (Portugal–Dinamarca: Ciência, Inovação e Diplomacia), parte de uma análise comparada entre Portugal e os principais países nórdicos, defendendo que o principal bloqueio estrutural português não está na qualidade científica, mas sim na capacidade de mobilizar capital privado de longo prazo para investigação, desenvolvimento e inovação.


A análise demonstra que Portugal continua a apresentar um défice significativo na intensidade empresarial de I&D, na profundidade do capital de risco e nos mecanismos institucionais que ligam ciência, capital e empresa.


A proposta central do relatório consiste na criação de uma nova categoria jurídica em Portugal: a fundação empresarial auto-detentora, inspirada em modelos utilizados por algumas das economias mais inovadoras da Europa.


Estruturas deste tipo permitem que empresas estratégicas sejam parcialmente detidas por fundações com missão de longo prazo, reinvestindo uma parte relevante dos dividendos em ciência, inovação, formação avançada e desenvolvimento tecnológico.

Casos como a Novo Nordisk Foundation, a Carlsberg Foundation ou o ecossistema Wallenberg demonstram como estes modelos podem simultaneamente garantir estabilidade acionista, competitividade empresarial e investimento contínuo em conhecimento.


Da ciência ao capital: o desafio português


Na notícia agora publicada, David Pereira de Castro, presidente da SPOT Nordic, reforça precisamente esta leitura: “Portugal até tem um dos maiores apoios públicos comparativo face ao privado a nível europeu. O que acontece é que não há uma estratégia de acompanhamento do setor privado no sentido de financiar a inovação e a investigação na mesma medida que outros países o fazem.”


O relatório defende que o problema português não se resume à quantidade de ciência produzida, mas sobretudo à dificuldade em transformar conhecimento em escala empresarial, produtividade e crescimento económico sustentado.

A proposta apresentada pela SPOT Nordic procura precisamente criar mecanismos estruturais capazes de aproximar ciência, capital e indústria, promovendo uma lógica de investimento paciente e de longo prazo.


Um contributo para a AI² e para uma nova geração de políticas públicas

A constituição da AI² representa, para a SPOT Nordic, uma oportunidade particularmente relevante para discutir não apenas mais financiamento para a ciência, mas melhores mecanismos de financiamento.


O relatório entregue ao Governo apresenta nove recomendações estruturais, incluindo:

  • criação de um enquadramento jurídico próprio para fundações empresariais;

  • desenvolvimento de incentivos fiscais adaptados;

  • criação de projetos-piloto setoriais;

  • reforço do cofinanciamento público-privado;

  • expansão de programas de doutoramentos industriais.


Segundo Joana Lobo Vicente, Coordenadora do Conselho Científico da SPOT Nordic: “O capital privado existe em Portugal. Faltam-nos as estruturas jurídicas que o canalizem, em escala e em duração, para a investigação e a inovação. As fundações empresariais são a peça que falta no sistema português de inovação.”


O papel estratégico da diáspora científica


A notícia reforça também a crescente relevância da diáspora científica portuguesa enquanto fonte de conhecimento comparado, experiência internacional e capacidade de ligação entre ecossistemas.


Ao longo dos últimos anos, a SPOT Nordic tem procurado afirmar-se como uma plataforma de diplomacia científica e económica entre Portugal e os países nórdicos, promovendo não apenas networking institucional, mas também propostas concretas para políticas públicas orientadas para competitividade, produtividade e inovação de longo prazo.


O reconhecimento agora demonstrado pelo Governo português representa um sinal importante de aproximação entre Portugal e a sua diáspora altamente qualificada, valorizando contributos internacionais no desenho das próximas reformas estruturais do país.


Para ouvir até ao minuto 10:05:


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