Diplomacia Científica em Ação: Enquadramento Teórico e Estratégico
- SPOT Nordic

- há 15 horas
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Num mundo simultaneamente fragmentado e profundamente interdependente, ciência e diplomacia deixaram de ser esferas paralelas. Hoje, são dimensões interligadas da política internacional, da inovação e da competitividade económica.
O Documento estratégico "Diplomacia Científica em Ação, desenvolvido pela SPOT Nordic, parte de uma pergunta simples: afinal, o que é diplomacia científica? A partir desta questão, o documento explora o conceito, a sua evolução histórica e, sobretudo, o seu valor estratégico no atual contexto geopolítico.
O que é, afinal, a Diplomacia Científica?
A Diplomacia científica refere-se ao conjunto de interações que ligam conhecimento científico, cooperação internacional e ação diplomática. Não se trata apenas de ciência a apoiar decisões políticas, nem apenas de diplomacia a facilitar projetos científicos. Trata-se de um ecossistema onde conhecimento, interesses estratégicos e governação global se cruzam.

O documento estrutura esta realidade em três dimensões complementares:
Science in diplomacy – quando a evidência científica informa decisões políticas internacionais;
Diplomacy for science – quando instrumentos diplomáticos viabilizam cooperação científica internacional;
Science for diplomacy – quando a cooperação científica se torna ferramenta de aproximação entre países.
Porque é que é tão relevante hoje?
O contexto atual é marcado por tensões geopolíticas, dependências estratégicas, competição tecnológica e desafios transnacionais que nenhum país consegue resolver isoladamente.
Vivemos num cenário de fragmentação política, mas de interdependência científica e económica profunda. Neste enquadramento, a diplomacia científica desempenha funções estruturantes:
Reduz incerteza em contextos de baixa confiança política;
Mantém canais de diálogo abertos quando relações diplomáticas estão fragilizadas;
Cria padrões e métricas comuns essenciais para enfrentar desafios globais;
Constrói influência internacional através de reputação científica e redes institucionais.
Importa reconhecer que a diplomacia científica atravessa hoje um ponto de inflexão. Se, numa fase inicial, era frequentemente entendida como um mecanismo neutro de cooperação, é hoje assumidamente estratégica: ciência e tecnologia são ativos geopolíticos, e a cooperação é cada vez mais seletiva e alinhada com interesses nacionais.
SPOT Nordic como caso aplicado
É neste enquadramento que a SPOT Nordic se posiciona como uma organização híbrida de diplomacia científica entre Portugal e os países nórdicos, atuando na interseção entre sistemas científicos, inovação e política externa.
A sua intervenção concretiza-se através de:
Diversificação de rotas de financiamento;
Promoção de matchmaking institucional;
Criação de consórcios internacionais;
Tradução de evidência científica em recomendações estratégicas;
Reforço da visibilidade e posicionamento internacional;
Representação e defesa dos interesses da comunidade científica e dos investigadores portugueses nos Países Nórdicos, promovendo a sua integração em redes internacionais e instrumentos estratégicos de cooperação.
Um exemplo concreto é o projeto Portugal–Denmark: Science, Innovation and Diplomacy, apresentado ao Ministério dos Negócios Estrangeiros português no final de 2025. Através de uma análise comparativa dos sistemas de Research, Development and Innovation (RDI), da elaboração de policy briefs e da organização de um evento estratégico, o projeto visa criar bases para instrumentos bilaterais mais estruturados e alinhados com prioridades europeias.




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